Bookcrossing e a arte de esquecer um livro

Levar um livro para ler no avião enquanto viaja e esquecer no bolsão da poltrona da frente. Emprestar um livro para um amigo e esquecer qual foi o amigo (e o safadinho nunca te devolver). Simplesmente perder o livro em algum lugar. Continue Lendo “Bookcrossing e a arte de esquecer um livro”

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Dica do dia: Livro “Design Your Self”

Para quem não sabe, enquanto a Babi é totalmente viciada em música, eu sou assim com livros. Emendo um no outro, leio três ao mesmo tempo, releio o que gosto (e o que não gosto também, até porque a nossa percepção muda né). Enfim, sou uma amante de leitura. E recentemente o livro Design Your Self chamou a minha atenção, embora o estilo autoajuda não seja muito a minha praia.

É que o livro, ao contrário dos outros da categoria, foi escrito por um Designer, o Karim Rashid! Então sua diagramação é bem lúdica e o texto super fácil, objetivo e gostoso de ler. São 4 capítulos divididos em subtemas: Vida – casa, desmaterialização, alimentação e atividade física; Amor – vida social, beleza, moda, sexo e morte; Trabalho – educação, inspiração, escritório e finanças; e Diversão – viajar, comprar, cor e sono & sonhos. Vou falar rapidamente sobre alguns destaques de cada capítulo.

Vida

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Entre algumas dicas que Karim dá em relação ao seu lar está a de que todo espaço da sua casa deve inspirar algo, seja com um aroma diferente, uma cor surpreendente. Não deve nunca ter um visual carregado, com quinquilharias e objetos acumulados na superfície. Isso inclui jogar fora tudo o que não faz sentido compartilhar o espaço da sua casa com você. Assim você garante fluidez no espaço e, consequentemente, a tão desejada inspiração.

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O mesmo vale para a alimentação e o exercício físico (já falamos isso em mil posts do Fit & Food, vai lá ver): inspire-se nessas atividades. Faça da cozinha uma terapia, leia rótulos, vá a feira, observe a textura e as cores dos alimentos, brinque. Quanto à atividade física, faça dela algo divertido, seja vestindo as cores que gosta ou escutando músicas de qualidade. Como diz Karim, “Praticar exercícios físicos é como recriar o design do corpo de dentro para fora.”

 

 

Amor

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Da mesma forma que não devemos ter objetos que sugam nossa energia dentro da nossa casa, também não devemos ter pessoas que o fazem em nossa vida. Reduzir vínculos é uma forma de redesenhar nossa vida social, deixando apenas o positivo e abrindo espaços para “novos positivos” entrarem. Quanto ao amor romântico, ambicione um parceiro que te complementa, e não que te completa. O seu design é só seu!

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Quanto à sua beleza, menos é mais! Sentir-se bem é o primeiro passo para aparentar estar bem. Fazer o bem é mais atraente que uma maquiagem. Seja radiante, seja único. Vista-se de branco – é a cor que projeta luz – e não tenha medo de valorizar o seu corpo. Você o conhece melhor que ninguém, certo?

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Trabalho

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Desligue seu celular e vá ler um livro. É tipo isso: educar-se tem a ver com abrir os olhos para o mundo a sua volta. E ler jornais, revistas, estar atualizado significa entender o que as pessoas estão pensando. Quanto ao trabalho, pare de encará-lo como a parte negativa da sua vida, não entre nessa de pensar que finais de semana são maravilhosos apenas porque não tem trabalho.

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Lembre-se de escrever as suas metas e, em vez de ficar no plano das ideias e dos sonhos, verifique se elas estão de acordo com a sua realidade atual. Se estiverem, então trabalhar será o que você quer fazer!

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Diversão

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Já falei que o Karim defende muito a ideia de olhar para o mundo a nossa volta, né? E viajar é isso, conhecer novas culturas e novas interpretações. Foque nas experiências, em criar momentos únicos, em aprender coisas novas, em abrir a mente. Comprar é bom, mas não deve ocupar um momento precioso em um lugar precioso.

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Quando à noite, sempre tenha uma boa noite de sono. Isso significa preparar-se para ela, não lendo notícias perturbadoras, não ingerindo líquido (afinal, ter que acordar de madrugada para ir ao banheiro pode interromper um sonho maravilhoso) e dormindo na escuridão.

 

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Eu tentei passar um pouco das ideias e o design do livro, mas não cheguei nem a 1% do conteúdo. Vale a pena comprar, se deliciar com o conteúdo e a diagramação e, quem sabe, incluir algumas das dicas na sua vida. 🙂

Empreendendo felicidade – Shift 2 entrevista Pedro Salomão

Pedro Salomão é uma pessoa tão incrível que me lembro perfeitamente da primeira vez que o vi. Foi na sede da Radio Ibiza no Rio de Janeiro, quando eles ainda ocupavam um apartamento em Copacabana. Pedrinho, como é conhecido por todos, me recebeu com um sorriso largo no rosto e braços abertos. Era meu aniversário, mas ele não sabia disso (e eu também não contei). Havíamos marcado uma reunião, pois eu queria muito conhecer a Ibiza e conversar com ele sobre essa história de pensar na música como uma ferramenta de marketing.

A tal reunião foi, na verdade, uma deliciosa conversa e saí de lá completamente encantada com tudo: Pedrinho, a empresa, seus funcionários (que na realidade parecem mais membros de uma família do que empregados) e, principalmente, com o fato dele fazer o que ama e se preocupar com a felicidade de todos ao seu redor.

De lá para cá, tive o privilégio de me encontrar com ele mais vezes, sempre com o mesmo sorriso largo e os braços abertos. Também tive a felicidade de ser colaboradora do jornal da Radio Ibiza e hoje eu já sou “de casa”, como o próprio Pedrinho fala.

Por falar em casa, a Ibiza se mudou para uma linda em Copacabana, com direito a chuveirão, quintal e churrascos. E se pra você é estranho pensar em uma empresa com chuveirão, quintal e churrascos, é porque não conhece o modelo de gestão baseado em felicidade implantado por Pedrinho – e que virou seu primeiro livro, “Empreendendo felicidade”, lançado no último dia 29, no Rio de Janeiro.

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Livraria da Travessa lotaaaaada por causa do Pedrinho!

 

A gente bateu um papinho com ele e essa conversa você confere aqui:

S2: Como foi o processo de criação da Rádio Ibiza? De onde veio a ideia, já que foi a primeira empresa no mundo a desenvolver identidade musical para marcas?

P: A ideia da Radio Ibiza veio da crise do mercado fonográfico junto com a crise do mercado de comunicação. Sempre fui apaixonado por planejamento estratégico e por antropologia do consumo e comportamento do consumidor. Em 2006 todo mundo falava da crise do mercado fonográfico mas nunca tinha se produzido tanta música quanto naquele ano. Falava-se da pirataria, do download ilegal, dos novos modelos que iam acabar com as gravadoras, com os artistas… E tinha um dado que dizia que nunca tinha se produzido tanta música quanto naquele ano. Em cima desse dado, que na verdade representava uma abundância de matéria prima, falei ‘caramba, se está se produzindo tanta música, o mercado não tá em crise o mercado. O que está em crise é o modelo, porque continua se produzindo musica’. 

Outro fator importantíssimo foi o mercado de comunicação. As experiências de comunicação online estavam voltando pro ponto de venda. As pessoas estavam voltando a valorizar a experiência dos pontos de venda, das lojas… O mercado de moda foi uma grande referência pra mim, porque estudando o consumo eu percebi que os projetos dentro das lojas eram verdadeiros projetos arquitetônicos. A gente já tinha a introdução do cheiro, do visual merchandising; e ninguém cuidava de música. Eu imediatamente falei ‘caramba, alguém vai ter que cuidar de música. A junção desses dois fatores que possibilitou perceber que na verdade o que a gente tinha que fazer era cuidar da experiencia sensorial com a música. Assim nasceu a Radio Ibiza.

S2: A Rádio Ibiza é uma referência de equipe apaixonada pelo que faz. Como você construiu esse time dentro da empresa? E de que forma você cobra resultados desse time sem perder as relações construídas?

P: Uma equipe apaixonada nasce de líderes apaixonados. Todo o alicerce fundamentado no amor e também a preocupação com os outros que a gente tanto prega na Rádio Ibiza começa na minha relação com meu sócio. Antes da Rádio Ibiza eu montei uma produtora que ainda existe, que eh a ‘Tá surdo? Produções’ com o Rafael. A gente tem 15 anos de sociedade e somos completamente apaixonados um pelo outro. Percebemos lá atrás que o que tornaria o nosso trabalho de fato prazeroso era a gente estar apaixonado um pelo outro. Brincamos que o que difere a paixão do amor é que quando você tá apaixonado por alguém, quer essa paixão o tempo inteiro. O amor já é mais sólido. A paixão faz com que você queira fazer tudo com aquela pessoa. Nosso desafio foi contratar pessoas que a gente se apaixonasse, que a gente pudesse fazer a troca. Como toda relação afetiva de amor, o que faz a cobrança acontecer (e ela é necessária) é a transparência e a coerência. A gente sempre baseou qualquer tipo de cobrança, qualquer tipo de crítica em cima da autoconsciência, que é um dos pilares da liderança que eu admiro pra caramba. Precisamos entender quais são os nossos defeitos, quais são as nossas limitações como liderados e como líderes e, a partir daí, a gente consegue ser coerente com as nossas críticas, porque somos coerentes com o que a gente é. Temos uma gestão muito transparente, muito focada nas nossas relações com nossos funcionários, com nossos colaboradores… Todo mundo sabe as metas, todo mundo sabe quanto a empresa ganha, todo mundo sabe qual é a nossa diretriz estratégica e todo mundo faz parte do negócio. Amor se constrói com amor

 

Minha equipe é proibida de fazer hora extra. Não porque sou bonzinho, mas porque entendi que ninguém é feliz trabalhando além da conta, sem tempo para cuidar de si mesmo. O grande estímulo que se pode dar a um funcionário não é tirar o couro dele para dar algo em troca: é fazer com que eles se entreguem o tempo inteiro porque se sentem felizes o tempo inteiro. (Trecho do livro “Empreendendo felicidade”)

 

S2: “Empreendendo felicidade” é o primeiro livro de sua autoria, certo? Como surgiu a vontade de escrevê-lo?

Capa-do-livro-684x1024P: Quando cheguei a 400 palestras, recebia muito pedido de transformar essa palestra em livro, principalmente dos meninos do movimento de empresas júnior no Brasil. A cada palestra a coisa disseminava. Há uma demanda dessa juventude por uma gestão mais afetiva, por empresas menos focadas no número e mais focada no processo de criação das pessoas, de indivíduos, de indivíduos transformadores. Esses meninos queriam levar isso pra empresa deles, pra empresa júnior que viram no Nordeste… E aí eles começaram a falar que tinha que virar livro, mas nunca imaginei escrever… Então recebi uma proposta de uma editora mais descolada, com um projeto legal… E aí foi uma aventura apaixonante. Foi muito divertido fazer o livro.

 

S2: Você é uma pessoa muito admirada não apenas pelo trabalho como empreendedor, mas também pelas ações voluntárias em favor do Rio, humildade nas relações e o sorriso constante no rosto. O que te move? O que te faz ser esse exemplo?

P: Acho que parte muito da educação que eu tive. Filho de pai sírio, mãe libanesa… e a cultura árabe tem muito isso do afeto, do carinho. Então acho que isso vem muito da família, desse carinho exagerado. Além disso , eu sempre preferi ter um olhar otimista pras coisas e talvez isso seja uma atitude empreendedora porque o mundo é tao pessimista, né? Mas o fator mais importante  é a fé. Eu sempre tive muita fé em Deus, nas pessoas, na vida. Acho que a fé te faz acreditar que o bem é maior e que as coisas boas acontecem e voltam pra você.

O sorriso eu aprendi com a minha mãe. Eu tenho 36 anos e nunca vi minha mãe triste. O problema que tivesse ela estava rindo e rindo da própria desgraça, rindo da própria vida. Isso foi uma escola pra mim. Aprendi com ela que o sorriso é o melhor remédio e cura qualquer coisa. 

S2: Qual dica que você dá para alguém que está iniciando no empreendedorismo nesse momento e deseja construir um negócio de sucesso e com paixão, como o seu?

P: A paixão e o foco no humano. Se você quer montar um negócio, se tiver paixão pelo humano, pelas relações humanas; se estiver disposto a doar seu tempo para conversar, para dialogar, para perceber as necessidades de todas as pessoas que estão à sua volta, você vai ter uma empresa de sucesso. No final das contas tudo o que a gente faz é pra atender a demanda do humano. Isso é super estratégico. O humano é o maior de todos os ativos que existem no mundo. 

S2: Nas paredes da Rádio Ibiza estão estampados os três valores da empresa: “I. ser feliz”; “II. fazer o outro feliz”; “III. sem os dois mandamentos anteriores nada tem importância”. Para você, o que é ser feliz e qual é a maior dificuldade de fazer o outro feliz?

P: Ser feliz pra mim é estar em paz. Acho que a maior causa da felicidade é um coração em paz e acho que a gente só consegue ficar em paz quando a gente exerce nosso papel de humano. A felicidade pra mim eh muito alinhada com o que eu consigo gerar pro indivíduo. Claro que é muito legal ganhar dinheiro. Claro que é muito legal ganhar prêmio de melhor empreendedor do ano, como já ganhei. É muito legal escrever um livro e saber que virou best seller. Mas isso é muito temporário. O dinheiro acaba, o prêmio depois de dois anos já caducou, o livro já deixou de estar na moda. Entao o que te deixa em paz é saber que você tá cuidando das pessoas, saber que de alguma forma você tá levando carinho, gerando sorrisos. Isso pra mim é felicidade.

Com relação à dificuldade de fazer o outro feliz: o mundo é a maior dificuldade. O mundo encapsulou a ideia da infelicidade então quando você se propõe a ser feliz, com foco no outro, sendo otimista, você tá remando contra a maré. A gente aprendeu que tinha que ter um fardo pra trabalhar. Você conhece alguém que fale ‘eu ganho muito bem’? Loucura, né? Se ninguém fala que ganha bem e tá todo mundo trabalhando demais, então porque a gente está aqui, construindo nossas carreiras? Então a maior dificuldade é esse paradigma da infelicidade que o mundo criou. 

S2: A Rádio Ibiza agora está explorando os cinco sentidos, então vamos explorar alguns deles: se felicidade tivesse um cheiro e um gosto, quais seriam?

P: Se tivesse um cheiro seria cheiro de maresia. Cheiro de maresia é imbatível. Ou cheiro de pão francês. Cheiro de pão francês me traz felicidade; uma ideia de fé, de Deus, de partilha. Se tivesse um gosto teria gosto de açaí, sem dúvida! 

S2: Quais são as três músicas que representam a felicidade pra você? 

P: A primeira é a Oração de São Francisco… É um mantra da felicidade pra mim: “Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver tristeza que eu leve a alegria”.

 

A segunda é a Vamos viver, do Martinho da Vila: “viver fazendo o bem…Sorrir e sem sofrer amar alguém…”.

 

A terceira é a Coisa de Pele, do Jorge Aragão. Mostra a importância do samba, de como o samba faz a gente feliz, de como isso é um estado de espírito. Jorge pra mim é um dos maiores poetas que o mundo já viu! “Podemos sorrir, nada mais nos impede… Não dá pra fugir dessa coisa de pele…”.

 

Tem também uma quarta música que é Santa Clara Clareou, do Jorge Ben. Essa música pra mim é uma beleza porque ela fala do dia, de Santa Clara.. E tem muito a ver com meu comportamento do dia: “de manhã bem cedinho com despertar alegre do canto dos passarinhos, bonito como Deus gosta…O sol nasceu para a vida e o amor enxugando sereno com seus raios solares, cheio de esplendor…”

 

É por essas e outras que o Pedrinho é um presente na minha vida e não falo isso só porque o conheci no dia do meu aniversário. Espero que seu livro também seja um presente na vida de todos os leitores, porque não há nada melhor do que ser feliz e fazer o outro feliz – e o “Empreendendo felicidade” é uma grande inspiração vinda de alguém que sabe fazer isso muito bem.

Observações Importantes!

Obs 1: Amanhã é o lançamento do livro em São Paulo. Quem estiver pela capital paulista anota aí: de 17h às 19h na Livraria da Vila, na Alameda Lorena. Depois é só atravessar a rua e curtir uma festinha na casa da Radio Ibiza em SP. Imperdível!

Obs 2: Tem sorteio do livro autografado pelo Pedrinho no Instagram do blog (@shiftdois) ! Veja lá como participar e não perca a oportunidade de ser feliz!

 

* Imagem de capa: Veja Rio.