Mãe, senta aqui, me ouve um pouco

Por: Ruth Manus

Tá na hora de você dar uma sossegada.

Mãe, pára um pouco. Dois minutinhos só. Sei que a ideia de parar não existe para você, mas eu tô pedindo. Baixa a frequência, senta no sofá, alguém cuida de todo o resto, vai por mim.

Eu sei que não importa quantos anos passem, você tem a eterna sensação de que é responsável por tudo. Pela sua vida, pela minha, pela dos que nos cercam, pelo seu trabalho, pelo meu trabalho, por tudo- inclusive o que está absolutamente fora do seu alcance. Continue Lendo “Mãe, senta aqui, me ouve um pouco”

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13 coisas que você deve abandonar se quiser ser bem-sucedido

Por: Zdravko Cvijetić 

“Alguém me disse uma vez a definição do inferno: “no seu último dia na terra, a pessoa que você se tornou vai encontrar a pessoa que você poderia ter se tornado.”- Anônimo

Às vezes, para ser bem-sucedido, não precisamos de mais coisas, precisamos desistir de algumas.

Mesmo que cada um de nós tenha uma definição diferente de sucesso, existem certas coisas que são universais, das quais se você desistir será mais bem-sucedido.

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Somos todas vadias por Ruth Manus

Texto publicado em: http://emais.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/somos-todas-vadias/

Mulheres morrem, independentemente do que fazem ou de quem são.

Mulheres morrem todo dia. Homens também. Homens morrem de câncer, de enfarto, de bala perdida. Mulheres morrem de câncer, de enfarto, de bala perdida. Mas homens não morrem por serem homens. E mulheres morrem por serem mulheres. É uma lógica simples.

Mulheres morrem não apenas na chacina de Campinas. Mulheres morrem viajando na América Latina. Mulheres morrem no Oriente Médio. Mulheres morrem na China, na Índia, no Canadá. Morrem aí, do lado da sua casa. Morrem porque são mulheres. Porque nasceram mulheres e porque mulheres se fizeram.

Mulheres morrem por ciúmes. Morrem porque olharam para o lado. Morrem porque tentaram ir embora. Porque tentaram. Mulheres morrem porque atrasaram o jantar. Porque saíram para jantar. Porque quiseram uma vida que fosse além de servir o almoço e servir o jantar.

Mulheres morrem por serem mais bonitas do que deveriam. Por serem menos bonitas do que deveriam. Mulheres morrem porque sempre devem. Sempre estão devendo. Mulheres morrem por fazer muito sexo. Por fazer pouco sexo. Por não querer fazer sexo. Por pensar demais em sexo. Por pensar demais.

Mulheres morrem por causa da saia. Por causa da blusa. Do perfume. Do sapato. Da maquiagem. Do cabelo. Mulheres morrem porque alguém decidiu que poderia interpretar e julgar uma peça de roupa, a cor de um batom e um corte de cabelo. Cortes. Porque julgam que certos cortes não são para mulheres. E que outros são: o da navalha, o do canivete, o da faca.

Mulheres morrem e não são vítimas. Mulheres levam tiros, facadas, chutes na cabeça. E seguem sem ser a vítima. Mulheres provocam. Mulheres dão causa. Mulheres não medem consequências. Mulheres sempre poderiam ter feito melhor. Mulheres tentam avisar. Tentam denunciar. Mas são sempre elas que deveriam ter tomado mais cuidado. Ter ficado dentro de casa. Ou ter trancado a casa. Ou ter fugido de casa.

Poderia dizer que as mulheres que morrem são filhas de alguém. Esposas de alguém. Irmãs de alguém. Mães de alguém. Mas elas são mulheres, apenas mulheres. Que não deveriam precisar ser nada de ninguém para ter importância. Mas precisam. Deixou filhos, deixou um marido inconsolável, deixou um pai debruçado sobre seu caixão. Só assim elas importam. Porque se ela for só uma mulher, ela será só uma mulher.

Homens morrem. Morrem por causa do tráfico, por causa da briga, por causa do ódio. Homens não morrem por questões de gênero. Mulheres morrem. Morrem porque seguem não sendo livres. Livres para opinar, livres para mudar de ideia, livres para ir embora, livres para dizer “nunca mais”.

Mulheres morrem porque homens resolvem que elas são vadias. Vadias por não aguentar mais. Vadias por dizer basta.

Vadias por errar como tantos deles erram. Vadias por querer o que todos eles querem. Vadias por acreditar que poderiam ser iguais. Vadias por querer viver.

Mulheres morrem porque, independentemente do que façam, alguém se achará no direito de matá-la por julgá-la vadia. Não é um direito?! No fim, não importa quem somos, o que fazemos ou o quanto merecemos viver, porque aos olhos de alguém somos todas vadias e isso é o que basta para que mulheres morram.

O que é ser mulher?

Por Carol Sassatelli

“Por muito tempo na minha cabeça me perguntei o que é ser mulher. Cresci ouvindo coisas do tipo “mulher não pode fazer isso…” ou “mulher não deve se vestir assim”, entre tantas outras frases que se ouve todos os dias. Por muito tempo, também não soube exatamente que tipo de atitude eu deveria tomar para me enquadrar dentro daquele tal padrão “mulher de família”. Ué, eu tenho família. Por que um shorts curto me faria ser uma pessoa sem vínculo com meus parentes?

Continuei sem uma definição concreta para a essência do que é fazer parte das mulheres por muito tempo. Para mim, mulher nunca foi aquela que tinha que cozinhar, que tirar o prato da mesa e lavar louça. Isso sempre foi papel de quem estava com fome ou de quem tinha acabado de comer, não é? Mulher não fez nada errado para ter que ficar em casa presa limpando, passando e fazendo o jantar, sem liberdade de fazer o que lhe der na telha. A escravidão não acabou faz tempo? Pois é, mas infelizmente, nem todos pensam assim.

E então, depois de muito pensar, resolvi organizar as ideias e tentar, finalmente, definir o que é ser mulher hoje em dia. Não foi fácil relembrar de cada detalhe, adianto.

Nós somos aquelas que não podem usar vestido e andar livremente nas ruas sem ouvir um assovio ou um “sua gostosa, ô lá em casa”. Sabe, é legal ser elogiada, mas apenas quando damos abertura para isso (e estar de roupa curta não é permissão, sério mesmo). Às vezes nós só queremos ir até a banca de jornal sem sentir asco pela cara que fazem ao nos olhar ou, ainda, medo de passar pelo mesmo caminho na volta.

Nós somos pessoas que também querem trabalhar e ganhar a mesma coisa pelo nosso trabalho, afinal, o esforço é o mesmo. E não queremos profissão que consideram “que não seja para homem” porque nós somos capazes de fazer o que quisermos. Não somos nem de longe o tal do sexo frágil. Nós sangramos todos os meses. Nós engravidamos e ficamos com uma barriga bastante pesada, além de seios sensíveis e doloridos. Nos parimos e aguentamos as dores do parto, fazendo força para sair uma pessoa de dentro de nós. Isso não é nem de longe coisa de gente frágil! O que passa na cabeça de alguém que pensa assim?

Nós temos que lidar com nossos hormônios – que são bastante peculiares, por sinal. Temos que aguentar a pressão das pessoas a nossa volta que esperam que a gente case e tenha três filhos, mesmo que a gente queira viajar pelo mundo todos sem ter data para voltar. Ouvimos coisas por aí do tipo “só podia ser mulher” quando se trata de carros, direção, gerenciamento de negócios e outras atividades que consideram “feitas para homem”.

Somos assediadas constantemente desde criança. Temos que tomar cuidado na balada para nenhum idiota apertar a nossa bunda. Recebemos cantadas imbecis de caras que se acham no direito de nos atormentar, mesmo que a gente não tenha dado nenhuma abertura para isso. Se transamos com um cara na primeira vez que saímos, nós somos as fáceis e vagabundas. Ou seja, não temos o direito nem mesmo de fazer sexo quando estamos com vontade – temos que fingir não querer apenas para não ser rotulada para os amigos do rapaz.

Ser mulher hoje em dia é mais complicado ainda porque se você não acredita que somos inferiores aos homens, que temos direitos iguais, que podemos fazer o que bem entender, você é taxada de “feminazi”. Ou seja, você não pode nem mesmo escolher o que achar sobre sua própria vida e seu papel dentro da sociedade sem também ser rotulada. Assim fica difícil conseguir se expressar, não é?

Mas independentemente de machismo, feminismo ou qualquer outra definição, eu sou mulher.

Eu quero poder sair de casa com a roupa que eu quiser e voltar sem ter medo de encontrar alguém com segundas intenções. Quero trabalhar no que eu gosto e ter sucesso na minha área, ganhando o mesmo salário de todos que façam a mesma coisa que eu. Quero escolher se vou dormir com alguém ou não sem me preocupar com o que falarão sobre mim no dia seguinte. Quero continuar vivendo minha vida e traçando meu caminho sem aguentar o julgamento alheio.

Somos pessoas que vivem juntas. Qual o problema em deixar cada um livre em escolher o que fará da sua própria vida?

Uma definição para o que é ser mulher? É difícil encontrar uma palavra só para concretizar o que é ser calmaria e tempestade em uma só pessoa. Mas somos mulheres e continuamos vivendo. Ou pelo menos, tentando.”

 

Publicado originalmente em: http://entretodasascoisas.com.br/2015/11/10/o-que-e-ser-mulher/

 

Carnaval

Por: Maurício Martins

Eu tenho R$3,40 pra passar o carnaval será que dá?
Hoje teeeeem 😈
QUEM DEU ESSAS ESPUMAS PRAS CRIANÇA
Cara eu não tava olhando te querendo eu só sou míope
Meu deus aquele homem tá fantasiado de hipoglós
Gente junta agora pra selfie
Gente junta agora pro boomerang
Gente junta agora pro snap
Gente junta agora pro Instagramstories
Gente junta a ana piscou
Tem que esperar a Luana voltar de fazer xixi a gente marcou aqui

GRINGOS!!!!
Hello how are you rs rs rs
Yes this is jurupinga and this is me we both like you

Eu não acredito que ele deu amei nas minhas fotos ontem e tá ali pegando outra
Latão
VOCÊ PAGOU COM TRAIÇÃO
Você deu um mergulho? Não, é suor
“Que bonita sua fantasia rsrs
Eu não tô usando fantasia rsrs
Eu sei rsrs”
Eu odeio sertanejGARÇOM TROCA O DVD QUE ESSA MODA ME FAZ SOFRER E O CORACAO NUM GUENTA
NÃO DÁ PRA ENTRAR NO METRÔ É SERIO
miga tem confete na minha calcinha como pode isso
#errejota #porai #nofilter #tonafarm #vejario #cariocando #carioquissima #021 #bonde #squad #meupauteama

Alá lá vai maria clara pegar o ex

Preciso fazer xixi
Acho que a última vez em que eu comi foi 9 da manhã
Latão
eu tô triste hj nem devo dançar

Vai taca taca taca taca taca taaaaca

“NÃO ACREDITO, MARQUINHO TÁ AQUI! Vamos encontrar com ele lá do outro lado da praia em aproximadamente 5 quilômetros nesse sol dos sete demônios cruzando a avenida que contém 120 mil pessoas segundo a PM?
Vamos!!! mas tem que esperar a Julia voltar do banheiro”

MINHA MÚSICA
PARA TUDO

MINHA PEQUENA EVA O NOSSO AMOR
“Deixa eu te apresentar esse aqui é o Lucas
Quem?
Também não sei conheci agora mas a gente tem química eu sinto essas coisas”

xixi
Eu saí pra um bloco em botafogo como eu to em São Conrado¿?¿
Latão
ELA VEIO QUENTE E HOJE EU TO FERRRRRVENDO
Odeio a Beija-Flor
moço o senhor leva 5 no táxi? PORRA Q Q CUSTA

CHIIIIIII CLEEEEEE TEEEEEE OBA OBA

Aquele ali fantasiado de vitória-régia não é nosso professor?
Tem que esperar o Lucas voltar de fazer xixi a gente marcou aqui
Latão
DOMINGOOOO EU VOU PRO MARACANÃ TORCER PRO TIME QUE SOU FÃ

Eu fiz xixi,
não lembro aonde

NÃO DEIXA O SAMBA MORRER
Vamo tirar uma selfie
Porra quem bebe cintra?
miga eu to emocionada que letra linda
NAO DEIXA O SAMBA ACABAR
Latão
NÃO DÁ PRA FAZER CORDA DO CARANGUEJO NÃO DÁ NEM PRA RESPIR…GENTE PARA
Tem que esperar alguém voltar de fazer xixi a gente marcou aqui eu não lembro quem
miga por que vc tá chorando? REAGE CARA
Eu não tenho pernas pra subir Santa Teresa
Catuaba vem vem
Gabriel vai pegar Leptospirose

“Acho que ele vai chegar em mim rsrs nem acredito, sabia que valeria a pena comprar essa saída de praia da farm de 269,90 em 5 vezes no cartão rsrs
Ai ele tá vindo rsrs
Porra só pediu pra eu tirar foto dele com os amigos”

Meu Deus eu dancei largadinho com o mendigo
EXPLORE CORAÇÃO NA MAIOR FELICIDADE
Cara eu não vou dançar
Dançar
Danç_
Dan_
Da_
D_ELANO LANÇOU MAIS UMA PRA PRA TODAS AS NOVINHAS
Eu não aguento mais marchinha de bloco
Xixi
AMIGA ASSIM NÃO TEM COMO TE DEFENDER
Isso é vômito? É

Esse ano é meu último carnaval não tenho mais energia
Energia_
Energi_
Energ_
Ener_
Ene_
En_
E_EEEEEEEEEEEEE, FARAÓÓ!!!!

NÃO VEM NÃO QUE EU SOU LOUCA
O latão tá oito
ELA QUICA ELA PARA REBOLA ELA TRAVA ELA ABRE ELA FECHA
Onde tem UPA?
Meu deus ele ta vindo
E ai quanto tempo rs
Pois é mó sdd rs
Pô rs
Rs
É…

EU VOU SACAR O LIS SIM EU NÃO TENHO MAIS NADA EM CONTA CORRENTE
eu tô bebendo mt sim mas depois do carnaval eu vou parar só no natal agora pode escrever

NÃO DEIXA O SAMBA ACABAR
Minha cabeça tá explodindo
eu não vejo minha dignidade há cinco dia

ESSE ABADÁ DO CABOFOLIA NÃO É PRA USAR O RESTO DO ANO QUANDO FOR AO SHOPPING JOGA ISSO FORA

Meu deus o mendigo com quem eu dancei me adicionou

Beija-flor ganhou

Quê?

Maurício Martins

 

Publicado em: https://www.facebook.com/mauricio.martins.980/posts/1226988004004577

Ninguém mais quer conversar?

Por: Cristina F. Pereda

Sherry Turkle quer saber por que cada vez nos comunicamos mais pelo celular

Psicóloga reabre o debate sobre o uso da Internet e as conversas que não são cara a cara

Sherry Turkle quer abrir uma discussão sobre a arte de conversar. Esta psicóloga norte-americana do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), uma das grandes estudiosas da digitalização de nossas vidas, quer saber por que cada vez mais nos comunicamos por celulares e dispositivos móveis em vez de fazê-lo pessoalmente, por que escolhemos enviar mensagens de texto e ligamos menos, e por que conversamos com um amigo enquanto estamos sentados na mesa com nossos filhos na hora do jantar.
Será que a arte de conversar está em crise? A pergunta inspirou a pesquisa que se tornou o livro Reclaiming Conversation, o último trabalho de Turkle, que há três décadas estuda como nos adaptamos aos avanços da tecnologia e sua influência em nossas relações. A autora representa hoje o setor mais moderado e realista de um contexto no qual que estamos mais acostumados a ouvir ao extremo. Turkle não acredita que a tecnologia seja o problema, mas sim como a utilizamos, e propõe que façamos um uso “deliberado” de nossos dispositivos.
A especialista fala do pai que acompanha sua filha de sete anos a uma excursão do colégio e se dá conta de que passou uma hora atualizando fotos de seu perfil de Facebook, mas não falou uma vez sequer com a menina. Do jovem que admite que olha o telefone para ver se há mensagens de seus amigos, mas que na falta de atualizações entra no Twitter, Instagram ou Facebook, “lugares familiares” para ele. “Nesse momento o telefone é meu amigo”, explica. Ou da universitária que reconhece que, ao saber que o familiar de uma amiga faleceu, lhe envia um e-mail, mas não telefona para ela “para não atrapalhar”.
Os adultos norte-americanos consultam em média seu telefone a cada seis minutos e meio. “Por que passamos tanto tempo enviando mensagens e mesmo assim nos sentimos tão desconectados dos demais?”, pergunta Turkle. A resposta, segundo ela, está tanto na falta de conversas cara a cara como na quantidade de vezes que as abandonamos para olhar o telefone. “Nós nos esquecemos de que há uma nova geração que cresceu sem saber o que é uma conversa sem interrupções”, garante.
Em seu livro anterior, Alone Together, Turkle fez seu primeiro diagnóstico do efeito da comunicação digital nas relações pessoais. As entrevistas que fez na época revelavam um mundo no qual os jovens estão frustrados pela falta de controle sobre as conversas que mantêm. Não sabem se seus interlocutores vão escutá-los ou para onde a conversa pode ir. Sentem-se incapazes de antecipar sua resposta. Em Reclaiming Conversation, Turkle defende que a sociedade deve aproveitar esse sentimento de engano para voltar à palavra falada, que define como uma “cura” diante da digitalização das interações sociais.

“A tecnologia está aqui para ficar, com todas as maravilhas que traz, mas é o momento de considerar como ela afeta outras coisas que apreciamos”, diz. Um dos riscos, segundo Turkle, é que podemos perder uma qualidade essencial nas relações humanas: a empatia. “Toda vez que você consulta seu telefone na presença de outras pessoas, estimula seus neurônios, mas também perde o que seu amigo, professor, cônjuge ou familiar acaba de dizer.”

A especialista garante que a conversa, o lugar no qual ouvimos e conhecemos o outro, é o espaço que representa mais riscos. “Nós nos escondemos uns dos outros porque é mais fácil compor e editar uma mensagem” digital do que “a conversa espontânea na qual podemos estar presentes e ser vulneráveis”. Alguns de seus entrevistados reconhecem que preferem “enviar uma mensagem” em vez de ter uma conversa “incômoda” com outra pessoa “na qual não podem controlar o que vão dizer”.
Diante da visão cética de Turkle, o debate sobre as benesses, supostas ou não, do mundo online inspirou grandes defesas por parte de outros dois especialistas norte-americanos. O professor nova-iorquino Jeff Jarvis descreve a Rede como uma “grande oportunidade para aumentar a transparência”. Jarvis criou seu primeiro blog no mesmo dia que caíram as Torres Gêmeas nos atentados de 11 de Setembro de 2001. Desde então, defende que a comunicação via web não leva à solidão, mas que está alimentando uma cultura de compartilhamento sem precedentes e de “fabricar relações”. E estas relações são, segundo seu colega Clay Shirky, o verdadeiro potencial da Internet. Suas ideias, desenvolvidas em obras como Cognitive Surplus ou Lá Vem Todo Mundo, revelam que essas ferramentas permitem liberar nossas ansiedades humanas ancestrais de compartilhar, de nos relacionar, de cooperar, de sermos criativos.

Turkle abrange em sua pesquisa todo tipo de conversas, conosco mesmos, com nossa família e amigos, com nosso parceiro, nossos professores ou nossos companheiros de trabalho e com o resto da sociedade. Turkle alerta que “a tecnologia está nos silenciando” e que os telefones, computadores e tablets nos ajudaram a nos afastar do contato pessoal. “Até um telefone em silêncio inibe a conversa.” A interação digital atrai porque é a promessa de cumprir três de nossos desejos: “Que sempre vamos ser ouvidos, que podemos prestar atenção onde e quando quisermos, e que nunca teremos de ficar sós.”
A autora reconhece que grande parte da dependência dos dispositivos móveis se deve ao fenômeno conhecido como ‘FOMO’ –Fear of missing out– o medo de perder o que acontece enquanto estamos desconectados. Mas alerta que, levado ao extremo, condena os usuários a fazer constantemente várias coisas ao mesmo tempo: consultar o telefone durante o jantar com a família, responder e-mails durante uma reunião, apagar mensagens no semáforo. “Quando pensamos que somos multitarefa, na verdade nosso cérebro se move rapidamente de uma tarefa para outra e nossa efetividade decai com cada coisa que acrescentamos”, escreve.
A professora do MIT aponta as relações com as crianças como o maior perigo da tecnologia e relembra quase com nostalgia quando dizia à filha “use suas próprias palavras” em uma conversa ou “olhe para mim enquanto falo”. “Os menores aprendem que, façam o que fizerem, não conseguem atrair a atenção dos adultos que estão conectados. Vemos crianças que não conversam, mas também pais que não as olham nos olhos”, escreve Turkle. Nos menores está também a primeira promessa de esperança. “A maneira mais realista de romper este círculo é que os pais assumam sua responsabilidade como mentores (…) Não temos que pedir aos filhos que larguem o telefone, temos que dar o exemplo.”

Todos podemos estimular essa volta à conversa, diz Turkle, dando pequenos passos, como fazer as coisas mais devagar, criar lugares “sagrados” – em casa, na escola ou no escritório – onde não entrem os dispositivos móveis, ou convocar reuniões só para conversar. “Em vez de responder e-mails enquanto empurra o carrinho de sua filha, fale com ela; em vez de colocar um tablet no berço de seu bebê, leia um livro para ele.”

 

Publicado em: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/04/tecnologia/1446650640_828874.html

 

Seja quem você é, do jeito que der

Por: Isabella Gonçalves

A gente acha que tem que ter o melhor corpo aos 19, achar o amor da vida antes dos 30, ter certeza absoluta do que quer fazer, para o resto da vida, aos 17 ou 18.

A gente acha que tem que ter a melhor pele, o melhor cabelo, o melhor sorriso o tempo todo, porque “ai” de quem demonstra fraqueza, é chato, é um porre, ninguém aguenta. A gente acha que tem que ter o melhor emprego assim que sai da faculdade, ter muito dinheiro logo de cara, que a gente não vai viver por completo se a vida não estiver resolvida até os 35, no máximo.

Mas a verdade é que a vida não se resolve porque muda o tempo todo e que bom que é assim. Tem gente que acha o amor da vida aos 50, que muda de emprego aos 40, faz outra faculdade aos 36 ou larga a faculdade aos 20 para viajar pelo mundo antes de decidir o que quer. E tudo bem. Normal. Tá tudo certo e se não está, vai ficar.

A gente tem uma ansiedade tão louca de viver tudo de uma vez que acaba não vivendo intensamente cada fase. Que bobeira. Desacelera aí. Eu desacelerei. Não tenho o melhor corpo, mas com paciência e treino eu chego lá porque eu quero e não porque me foi imposto essa condição. Outra coisa é isso: A gente acha que tem que viver segundo os padrões da sociedade, como peças de um quebra-cabeça e demora a descobrir que na verdade nós somos, cada um, um quebra-cabeça.

Se você não tem um corpo que estampa a revista, o cabelo da propaganda do shampoo, a pele de pêssego da sua amiga, se você ainda não sabe o que quer fazer da vida, se você tem 19, 30 ou 60, tá tudo bem. A vida é isso aí. É tentar descobrir o que é melhor pra gente, é desbravar o caminho da felicidade. E olha… O caminho da felicidade é diferente para cada um.

Abrace suas diferenças, faça aquilo que te deixa bem. Se quiser mudar, muda, se não quiser, não muda.  Se quiser chorar em público, chora. Se quiser rir no meio da rua, ria. Só não deixa de ser quem você é por nada e nem ninguém. A vida é sua e desde que você respeite a vida e a liberdade do outro, o que você faz com ela, é seu. É a sua história.

 

Publicado em: http://eoh.com.br/seja-quem-voce-e-do-jeito-que-der/

 

 

Imagem de capa: http://viveremelhor.com.br/autoconhecimento-3-perguntas-valiosas-que-vao-ajudar-voce-a-iniciar-essa-jornada/