Dia Internacional do DJ – Shift 2 entrevista DJ Flávia Xexéo

No dia 9 de março é comemorado internacionalmente o Dia do DJ. Para celebrar a data, que sempre vem em seguida ao Dia Internacional da Mulher, nada melhor do que uma entrevista com uma DJ mulher que ARRASA nas pistas e que já é veterana nos toca-discos: a maravilinda Flávia Xexéo.

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Ela foi minha professora na Eletrobase (minha saga já narrei para vocês aqui) e a gente bateu um papo super legal para contar pra vocês um pouco da vida dela como DJ:

S2: Como e quando você resolveu que queria ser DJ? Como aprendeu a tocar?

FX: Resolvi ser DJ por influência dos meus amigos. Muitos eram produtores de festas na época e eu já estava nesse meio. Além disso, meus irmãos que moravam nos EUA me traziam muitas músicas, muitos CDs. Na época não tinha isso de baixar música, você tinha que comprar os CDs e se você tinha acesso às músicas, se destacava. Com isso eu criei um acervo grande e isso era um diferencial muito importante. Meus amigos então falaram: ˜Você tem muita música, você tem bom gosto musical.. toca na minha festa!” e foi assim que começou, sem pretensão. Era divertido, eu gostava da noite, das festas, meus amigos todos queriam estar… Aprendi a tocar no CD com esses meus amigos, com a Eletrobase e minha carreira alavancou. Depois de anos resolvi escolher ser só DJ, porque eu conciliava com a faculdade [a Flávia é formada em Educação Física] e trabalhava com meu pai no restaurante dele. Depois que me formei na faculdade passei 1 ano fora do Brasil. Quando voltei, decidi ser só DJ e investi tudo na minha carreira, comprei equipamentos, vinil, etc… e aí a história mudou de configuração.

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Acho que cada DJ tem o seu diferencial e coloca seu talento conforme a natureza dele. A forma como ele pratica em casa é a forma como ele vai expor aquilo pro mundo. Se ele não praticar, não vai expor nada e vai morrer no mercado.

S2: Quais são suas inspirações musicais?

FX: Nunca tive uma inspiração por algum DJ. Tenho influência dos meus amigos e sigo meus gostos musicais. Eu gosto muito de hip hop. Os anos 90 são tidos como a “Golden era” no mundo do hip hop. Foi quando os principais artistas estouraram e era uma música melhor que a outra. Eu ficava muito envolvida nesse universo do hip hop. Por isso que hoje eu sou considerada “DJ de hip hop”, realmente circulei muito nesse universo, principalmente dos EUA. Sempre tive esse laço com o hip hop americano. Hoje em dia a gente vê uma grande evolução do hip hop mundial, mas os americanos ainda dominam a cena. Só que nunca me inspirei em ninguém para tocar; sempre procurei ficar nas minhas criações. Acho que cada DJ tem o seu diferencial e coloca seu talento conforme a natureza dele. A forma como ele pratica em casa é a forma como ele vai expor aquilo pro mundo. Se ele não praticar, não vai expor nada e vai morrer no mercado. Inspiração mesmo foram as carreiras bem-sucedidas dos amigos e eu mesma vi que tinha potencial praquilo, até por ser uma das primeiras mulheres do Rio de Janeiro a tocar, em estar nas noites da Zona Sul.. Isso me inspirava a continuar nesse caminho e buscar meu diferencial.

S2: Quais foram seus melhores momentos na carreira? E a maior dificuldade?

FX: São tantos momentos bons, cada um com sua particularidade. Um dos meus melhores momentos foi quando minha mãe me emprestou dinheiro para eu comprar meu equipamento e isso foi uma conquista muito grande. Eu sei a dificuldade que é; dou aula e escuto meus alunos falando que não têm condição de comprar e eu tive esse privilégio da família abraçar a causa. Minha mãe comprou meu primeiro equipamento, depois com meu trabalho eu consegui pagar de volta. Outra coisa boa é quando você começa sua carreira e sonha que seu trabalho atinja determinado lugar e quando comecei tinham várias boates e festas que eu sonhava em tocar. Achava que era algo muito distante, mas consegui tocar em todas as festas que eu queria. Então são muitos melhores momentos… Outro exemplo foi quando em 2010 eu fui convidada pela Nike para fazer uma viagem para NY com uma equipe muuuito boa da indústria da música e com uma equipe de basquete do RJ patrocinada pela Nike. Foi o World Basketball Festival, realizado lá em NY. Foi algo que nem sonhei e conquistei. São muitos bons momentos… Até o fato de estar casada hoje com um cara que eu sempre fui apaixonada na minha época de adolescente, que eu ia pra noite e paquerava (o DJ Saci).

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DJ Flávia Xexéo e DJ Saci (meus professores na Eletrobase, junto com o DJ Lulinha)

Sobre as dificuldades… esse ano completo 14 anos de carreira e posso dizer que tive muita sorte. Tudo eu consegui. Algumas  coisas eu consegui mais fácil, outras com um pouco mais de trabalho, mas as coisas foram bem tranquilas pra mim, porque eu comecei onde ninguém começou. Tinha muito homem DJ no universo do hip hop, mas mulher não e acabou que me destaquei. Foi um conjunto de fatores: ciclo de amizades, ser mulher, talento, beleza… uniu tudo e deu certo. A galera das festas sempre me chamava, porque já tinha muito homem. Naquela época as festas começavam a ganhar a configuração de ter mais de um DJ tocando e eu peguei essa onda e acabava sendo um diferencial por ser mulher.

Antigamente as pessoas iam pra noite para escutar músicas diferentes. Hoje em dia elas vão pra noite pra escutar músicas que elas escutam em casa. 

S2: Como você avalia o cenário brasileiro?

FX: Me sinto mais a vontade para falar sobre o cenário carioca. O RJ se tornou uma cidade muito mais turística… as noites, os bares, as festas, estão com muito público de fora. Não falo nem de estrangeiros, mas turistas brasileiros mesmo. Com isso você acaba tornando a noite muito pop, comercial, porque pra atender todo mundo você precisa ver o que vai agradar e o Brasil é uma mistura só. A gente até vê o sertanejo dominando, o funk… Então as noites do Rio estão se tornando uma coisa só. As festas tocam as mesmas músicas, muda uma coisinha ou outra, mas sempre tem o DJ que toca de tudo, o funk no final… A cena eletrônica praticamente não existe, são festivais isolados. Não existe mais boate em que você tem uma programação em que cada dia da semana é de um estilo. Isso acabou. Você não consegue ver uma boate de conceito no Rio de Janeiro, todo mundo toca de tudo. E eu me incluo nesse cenário como uma DJ que toca de tudo. Não dá mais para querer segmentar senão você não terá trabalho. É muita gente, é muita concorrência, é muita panelinha… Antigamente as pessoas iam pra noite para escutar músicas diferentes. Hoje em dia elas vão pra noite pra escutar músicas que elas escutam em casa. Fico um pouco triste, porque se eu for pensar no que vivi na minha época… queria voltar pra lá!

S2: Que dica você dá para quem está começando?

FX: Bom, infelizmente acima de qualquer técnica, quem está começando tem que ser muito bem relacionado no meio. É muito difícil hoje você ser um bom DJ, tocar muito bem e estar no cenário se você não se relacionar, não fizer lobby, não ir nas noites, não fazer contato, não pedir coisa pra alguém. Ninguém consegue sozinho. Você tem que fazer social, ir pra noite, correr atrás de ser bem relacionado, tem que ir pra pista e entrar no circuito e trabalhar muito bem as redes sociais. Tem que ter conteúdo, saber postar, investir nas suas redes, no visual e investir na carreira tecnicamente. Você tem que saber tocar tecnicamente bem também para não desaparecer senão vai vir outro que sabe tocar. Tem que ter esse pacote completo e muitas vezes a pessoa não se encaixa nesse perfil e ninguém fala isso pra ela. Tem que ter uma autocrítica muito forte nesse momento e pensar: “eu nasci pra fazer isso?”

 

Bom, quem já viu a Flavinha tocar sabe que ela nasceu pra fazer isso. Parabéns pelo dia do DJ pra ela, pra mim e para todos aqueles que conhecem o prazer de fazer uma pista ferver.

#sóosomsalva

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Autor: Babi

Carioca, DJ, botafoguense, comunicadora, viajante e sonhadora que quando fica inspirada brinca de ser escritora.

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