5 rappers que estão mudando o rumo do hip hop australiano

O hip hop surgiu na década de 70 nos Estados Unidos como um movimento cultural entre os latino-americanos, jamaicanos e afro-americanos de Nova York (Bronx!), como a gente acompanhou na série do Netflix, “The Get Down” (se você ainda não viu, aqui a gente te conta porque vale muuuuuito a pena). Sendo o hip hop um estilo que ultrapassa as fronteiras da música e se configura como um movimento cultural, pode parecer meio óbvio falar que as letras de suas canções expressam temas como pobreza, violência, racismo, drogas e outras questões sociais, certo? Não. Não no caso da Austrália. É que desde que o hip hop chegou na terra dos cangurus, na década de 80, suas músicas nunca tiveram um viés social relevante, expressando temas considerados banais e reafirmando o estilo-de-vida-maravilhoso-australiano, num nacionalismo meio exagerado. Um exemplo desse otimismo que desde sempre tomou conta do “Aussie hip hop”  é o sucesso local “Festival Song”, do rapper Pez:

It’s hard to figure out what tickets you want, should it be Falls Festival or Pyramid Rock?

Well for me, I really don’t care coz I don’t listen to rock, or hip hop

I just wear earplugs and sit there and watch

If your favourite band’s there you’ll think you’ll never forget

You’ll probably get that wasted you wont remember their set

But if you’re a festival head then you already know the plan

Go and pack up all your shit ‘cause you’re going on a trip for those summer days

 

Summer days

Ohh summer days

Summer days

For those summer days

I love summer days

 

As coisas começaram a mudar no ano passado, quando esse positivismo passou a dar espaço para os protestos sociais – de abusos de direitos humanos ao racismo, passando por violência contra a mulher, mortes de indígenas e até mortes de policiais americanos. A nova leva de artistas do “Aussie hip hop” está conduzindo esse estilo de volta às origens como música de protesto, no sentido inverso ao hip hop americano. Eis 5 dos rappers responsáveis por isso:

 

1)      Remi

remi

Suas músicas vão da fanfarronice às críticas sociais, numa versatilidade incrível! Caiu no gosto dos australianos depois de ganhar alguns prêmios de artista revelação e ser reconhecido pelas emissoras de rádio locais. Em seu álbum “Raw X Infinity” (2014), por exemplo, ele critica o racismo e a xenofobia na música “Ode to ignorance”:

Fuck foreigners!

(Those Africans aren’t worth shit)

Fuck the origin!

(Aboriginals aren’t worth shit)

Fuck foreigners!

Indian, Islander, Arabic, Asian

If you’re not male and Caucasian, you ain’t shit

 

2) Chocolate & Kid Kairo

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Os dois fazem parte da Lion Mountain Studio, um projeto da comunidade de Serra Leoa em Sydney que ensina técnicas de produção musical para jovens. Recentemente eles fizeram parceria com um produtor australiano chamado Dro Carey’s na música “Monomiles”, com forte influência do estilo britânico.

 

3)     Thandi Phoenix

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Thandi é considerada pelos críticos locais como uma nova Erykah Badu. Ganhou a atenção dos australianos depois de participar de uma turnê australiana da americana Tinashe. Com vocais sensuais, Thandi usa e abusa do R&B e de batidas bem marcadas com uma pitadinha de sintetizadores. Recentemente ela se juntou à rapper B-Wise na música “Judgement”.

https://soundcloud.com/thandiphoenix/judgement-thandi-phoenix-ft-b-wise

 

4)     Sampa The Great

sampa

Nasceu na Zâmbia, mas mora em Sydney. Sampa veio com tudo no ano passado em seu álbum de estreia, “The Great Mixtape”, com uma pegada super politizada. Alguns meses depois de lançar seu disco, ela saiu em turnê ao lado de nada mais nada menos que Kendrick Lamar. A música “F E M A L E” simplesmente tomou conta das rádios e festas australianas.

Big bold women gonna come and applaud.

Got-my-back women,

I do applaud.

I’m an F E M A L E.

From the ghetto, bet she got a brain and Stilletos.

She work five to nine, still got time for the men, true.

There’s another way and forget about the echos at the ghetto.

Got the giggles, since she never leave the ghetto,

Gotta tell ‘em,

“Get the memo”

Cause in time she gonna let go

 

5)     Curse Ov Dialect

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Eles lançaram um dos álbuns mais polêmicos da Austrália no ano passado. Em suas letras, criticam a globalização, as grandes corporações, o racismo e a opressão. Eles dizem que o termo “Aussie hip hop” passou a ser confundido com nacionalismo e que as coisas, finalmente, estão começando a mudar.

U try to deny the dialect rise so I emerge from a Maltese pie
And I’m a travelogue demigod that racists can’t catalogue
Eurocentric’s babble on in there own Babylon
Holding Beijing tea on my right knee
Defying hierarchy is my source of glee
Living next door to the halal and the kosher store
Pulling out my claw so u hate no more
I walk down the streets with groceries and sweets
Analysing judges and bigots on the beach
Down with the sounds sampling the cows
Hoping that they moo I know no bounds
So look inside my palm and you’ll see my past
And you’ll never have to ask what’s behind my mask

I’m irrelevant to development I’m just a key
Twisted stranger re arranger cry for me

 

É… parece que os rappers australianos resolveram abrir os olhos para as questões sociais que sempre existiram e foram ignoradas… Que bom!

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Autor: Babi

Carioca, DJ, botafoguense, comunicadora, viajante e sonhadora que quando fica inspirada brinca de ser escritora.

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