Mãe, virei DJ

A paixão pela música me acompanha desde que me conheço por gente, mas por pura ironia, nunca tinha dado ouvidos a ela… até que resolvi fazer um curso de DJ. Antes de qualquer coisa, decidi fazer esse post mais autobiográfico no Shift 2 porque muita gente me pediu para contar no blog como se vira um DJ (e também porque toda vez que eu encontro alguém que não vejo há muito tempo escuto um “você virou DJ, né? Que legal! Como é isso?”).

O caminho das pedras

Muitos DJs aprendem na prática, acompanhando amigos DJs e colocando a mão na massa com a ajuda deles. Como eu não conhecia nenhum, resolvi fazer um curso. Procurei no Google “curso DJ rio de janeiro” e descobri a Loop, minha escola primária. Lembro até hoje o quão tensa eu ficava, com medo de esquecer o que havia aprendido na aula anterior. Foi por isso que decidi comprar uma controladora e caixas de som de estúdio. Praticava em casa e me sentia mais segura nas aulas. Quando o curso acabou, quis comprar duas caixas de som potentes e iluminação básica. E foi assim que fiquei pronta para fazer festas (a ideia de ganhar uma graninha extra fazendo o que eu gosto me pareceu muito boa, afinal). Tive que desembolsar boa parte das minhas economias para investir nesse “kit festa” que eu havia montado pra mim. Esses equipamentos são caros…

loop
Praticando no estúdio da Loop

Meu primeiro desafio profissional como DJ veio logo depois: aniversário do meu irmão. O contexto é ótimo para quem está começando: festa em família, com amigos e pessoas queridas me dando apoio. “Se eu errar, ninguém vai brigar” – eu pensava, tentando conter o nervosismo no dia. Deu tudo certo. Foi assim que eu comecei.

Mas vamos voltar pra Loop! Essa é uma escola especialmente focada na música eletrônica. Eles dão aula de produção e de trilha sonora também. O curso de DJ dura uns 3 meses, com aulas duas vezes na semana (às vezes eles fazem intensivos, tem que ficar de olho no site). Eles ensinam a mixagem na CDJ (Pioneer CDJ350 e CDJ900), com mixers DJM350 e DJM900 Nexus, e também no Traktor.

Foram três meses mergulhada no universo da música eletrônica. Aprendi a mixar no psytrance, no trance, no techno… e passei a gostar desses estilos também. Aliás eu nem sabia que existiam tantas segmentações na música eletrônica! Saí de lá pronta pra tocar no Tomorrowland (haha, brincadeirinha! Quem sabe um dia..). Mas… sentia falta da técnica pra mixar hip hop, pop, rock… eu sabia que tinha alguma diferença e tentava aprender sozinha, em casa, praticando na minha Pioneer WeGo – sem sucesso.

O tempo foi passando, eu comecei a ganhar experiência, dando meu jeitinho de mixar todos os estilos musicais que pediam com a ajuda da criatividade. Foi então que resolvi procurar cursos de DJs que ensinassem técnicas de mixagem para hip hop e descobri um mundo de vinis que eu ainda tinha que desbravar.

Foi na Eletrobase, com a ajuda dos grandes DJs Saci, Lulinha e Flávia Xexéo, que aprendi a fazer alguns tipos de scratch, back to back e outras coisinhas. Finalmente lá estava eu mixando meus hip hops e pops preferidos. Na Eletrobase eles ensinam a tocar no vinil: primeiro no toca discos como antigamente, no ouvido, na raça e na unha; depois junto com o Serato DJ. São 10 aulas no total e depois você ainda tem 2h para praticar no estúdio (dá umas 30 horas de curso).

eletrobase
Praticando no estúdio ~lindo~ da Eletrobase

O trabalho final é a gravação de um set de 20 a 30 min, treinado exaustiva e minuciosamente durante as aulas. Óbvio que eu estava mega nervosa/ tremendo/suando frio no dia da gravação e deixei passar algumas coisinhas que nos treinos estavam perfeitas. Acontece… mas nada muito grave!

https://soundcloud.com/babi-gazal/dj-babi-gazal-set-pop-vinil-eletrobase-agosto-2016

 

O curso foi muuuuito bom, abriu minha cabeça e me deixou mais confiante, mas achei fundamental ter feito o da Loop primeiro para pegar a técnica básica de mixagem, deixar o ouvido mais apurado, me familiarizar com a contagem do tempo, essas coisas… Dá para fazer sem saber nada, mas talvez não seja tão produtivo. Os professores são maravilhosos! Sou muito grata aos três por todas as dicas e ensinamentos (e muito fã deles também)!

Inspirada com a conclusão do curso da Eletrobase, acabei gravando mais dois sets:

https://soundcloud.com/babi-gazal/dj-babi-gazal-set-future-bass-agosto-2016

 

https://soundcloud.com/babi-gazal/dj-babi-gazal-set-techno-agosto-2016
Não estão perfeitos, mas tenho certeza de que daqui a algum tempo vou escutá-los e pensar: “nossa, como eu melhorei!” – a prática leva à perfeição, já diriam os mais velhos. Tenho ainda um longo caminho a seguir e muita coisa para aprender e aperfeiçoar.

Ser DJ é isso: técnica, prática, pesquisa musical, criatividade, feeling, ouvido, persistência, investimento, estudo. Qualquer um pode ser DJ sim, desde que tenha tudo isso.

Equipamentos:

Quando fiz o curso da Loop, meu sonho de consumo era ter uma CDJ 2000 Nexus, mas como ela é praticamente o valor de um carro, acabei comprando uma controladora simples da Pioneer que nunca me deixou na mão. Depois da Eletrobase, meu sonho de consumo passou a ser a placa Rane do Serato – com essa placa, minha controladora deixaria de ser uma simples controladora. Com uma Pionner DDJ-RZX, então…

Comprei meus equipamentos no Mercado Livre, sempre pesquisando muito tanto os preços, quanto os comentários e avaliações sobre os vendedores. Nunca tive problemas. Já os cabos, comprei em lojas de instrumentos musicais. Sobre fones de ouvido, não sou muito indicada para falar porque ainda não investi em um fone profissional, mas certamente se eu tocasse toda semana mais de 3 dias seguidos, precisaria de um fone de qualidade para não prejudicar minha audição.

É muuuuuito mais barato comprar esses equipamentos todos nos EUA, então se você quer ser um DJ e tiver viagem marcada para lá, aproveite!

Pesquisa Musical:

SoundCloud na veia. Spotify a fundo. Youtube com muita curiosidade. Não tem erro. Escutou uma música legal? Clica no artista e ouça o resto da discografia. Vá em links relacionados. Procure artistas semelhantes… e assim você acaba descobrindo muuuuita coisa legal!

Músicas:

Para tocar em festas é preciso ter arquivos de qualidade. Se você tem um bom ouvido, dá para tirar do YouTube prestando atenção se o áudio é mesmo bom. Se você não quer arriscar, indico o BeatPort e o DJ City. São serviços pagos, mas como eu disse, para ser DJ tem que investir (e vale muito a pena).

 

Quem quiser ficar de olho no que eu ando escutando, meu Spotify é o open.spotify.com/user/babigazal .

Meu SoundCloud é o:

 

Nos vemos na pista!

 

 

 

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Autor: Babi

Carioca, DJ, botafoguense, comunicadora, viajante e sonhadora que quando fica inspirada brinca de ser escritora.

5 comentários em “Mãe, virei DJ”

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